Médico que coordena programa do governo de SP de combate ao crack consegue escapar de arapuca armada pela TV Cultura

 

Médico que coordena programa do governo de SP de combate ao crack consegue escapar de arapuca armada pela TV Cultura; entrevistado era difamado, em tempo real, por membro da bancada do Roda Viva. Um espetáculo grotesco de patrulha e grosseria!

O Roda Viva, da TV Cultura, entrevistou na segunda-feira o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, uma das maiores autoridades brasileiras em dependência química. Ele coordena o programa “Recomeço”, implementado pelo governo de São Paulo, para atender especialmente os dependentes de crack. Entrevista? Não! O que a TV Cultura, TV pública de São Paulo alimentada por dinheiro também público, tentou armar foi um linchamento em forma de entrevista. Laranjeira só não foi esmagado pelos entrevistadores — todos eles, com a exceção de uma, claramente favoráveis à descriminação das drogas — porque é preparado, conhece o assunto e soube combater o achismo e a irracionalidade com informação.

A coisa alcançou tal nível de delinquência intelectual que, atenção!, o rapaz escalado para acompanhar a repercussão da entrevista do Twitter, alimentando o programa com informações, passou ele próprio a atacar o entrevistado em tempo real. Enquanto Laranjeira falava, ele o desqualificava em seu perfil. Escrevo de novo: uma pessoa que estava na bancada do Roda Viva, em tempo real, atacava o entrevistado. ATENÇÃO, CONVIDADOS DO RODA VIVA! HÁ O RISCO DE VOCÊS SEREM DIFAMADOS NAS REDES SOCIAIS PELO PRÓPRIO PROGRAMA! A menos, claro!, que vocês digam o que que querem que vocês digam! No geral, se as opiniões estiverem identificadas com o politicamente correto, com o petismo e com as esquerdas, tudo bem! Caso contrário, é porrada na certa! Abaixo, segue o vídeo no Youtube. Volto em seguida.

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=Ry5fOdt8DbQ

Foram escalados para entrevistar Laranjeira:
– Ilona Szabo de Carvalho – ela é diretora de um tal Instituto Igarapé, que responde por uma certa Rede Pense Livre, organização que defende a descriminação da drogas. A Pense Livre foi uma das organizadoras daquele seminário em Brasília que defendeu a legalização de todas as drogas. Foi financiado com dinheiro público e só convidou as pessoas que têm esse ponto de vista.
– Laura Capriglione – jornalista da Folha de S.Paulo, é a minha musa na imprensa. Parou de cobrir enchentes na gestão Fernando Haddad. Aposentou as galochas. É contra a internação involuntária de viciados e favorável à descriminação das drogas.
– Bruno Paes Manso – jornalista do Estadão, é uma espécie de Laura Capriglione com ambições quase acadêmicas. Também defende a descriminação.
– Denis Burgierman – jornalista, é diretor de redação da revista Superinteressante. Mas não estava lá por isso. É um fanático da descriminação das drogas, escreveu livro a respeito e também é ligado à Rede Pense Livre.
– Mara Menezes – Presidente do Conselho da Federação Amor Exigente. Foi a única que não usou o entrevistado como mero pretexto para defender a descriminação das drogas.

Assim se fez a imparcialidade de entrevistadores do Roda Viva. Quatro pessoas estavam lá para tentar provar que o entrevistado está errado e tartamudear seus delírios sobre a liberação das drogas, e apenas uma, visivelmente intimidada pela tropa de choque, não exibia o espírito do confronto.

Laranjeira, reitero, se saiu bem porque é uma pessoa preparada, que não se deixa intimidar. Ocorre que um especialista não tem obrigação nenhuma de saber lidar com situações como essa. O que se tinha ali — comprovado pelo episódio do Twitter (já chego lá) — era uma arapuca, não uma “roda viva”.

Estômago
Se você não assistiu ao programa, recomendo que coloque o estômago de lado. Não me lembro de bancada tão abertamente hostil a um entrevistado! Acho que nem aquela que se encarregou de Cabo Anselmo! Dos cinco participantes, quatro se opunham a praticamente tudo o que o convidado exibia como contribuição — INCLUSIVE PROFISSIONAL — ao debate.

Ilona, vejam o vídeo, arrogante, partiu para o ataque desde o início, tentando transformar em debate entre iguais a entrevista de um especialista. Não queria perguntar, mas contestar. Transcrevi trechos de sua fala (fica para outros posts). É daquelas pessoas cuja prosa se perde nos fumos sintáticos dos anacolutos (vou demonstrar). Com frequência, sua voz tentou se sobrepor à de Laranjeira, muitas vezes num tom de censura benevolente. No ápice de seu entusiasmo, recorreu a um argumento que chega ao escárnio: o de que os dependentes não procuram tratamento porque têm medo de ser criminalizados!!!

Manso — autor de uma tese exótica de doutorado na FFLCH sobre o crescimento e queda do índice de homicídios em SP — defendeu que a liberação do plantio de maconha “para uso próprio” seria uma excelente medida… Burgierman chegou a perguntar, com agressividade incompatível com o seu papel, se o fato de Laranjeira dirigir um instituto privado de estudo das drogas e combate à dependência não constituía conflito de interesses com a coordenação do programa público. Não se limitou a defender a descriminação do uso de drogas. Ele também quer livrar a cara do que chama “pequeno traficante”. Não tenho a menor noção do que ele quer dizer com isso. Laura nem precisou se esforçar. Manteve, sempre que flagrada, um olhar de reprovação à postura “radical” do entrevistado…

Laranjeira começou muito tenso (como não estaria?), mas conseguiu se impor na maioria dos confrontos. Foi eficiente em demonstrar que é necessário reduzir ao máximo a exposição dos jovens às drogas. Faltou ressaltar, creio, que, no Brasil, isso se torna ainda mais necessário à medida que não existe rede de tratamento capaz de acolher de modo adequado os que se tornam dependentes. Outro ponto forte foi sua negativa categórica em considerar a famigerada política de redução de danos uma alternativa aceitável como proposta terapêutica.

Em países organizados (e pequenos!), como Suíça, Holanda e Portugal (fetiche da turminha!), as autoridades puderam, digamos, se dar ao luxo de uma experiência de liberação (sempre parcial!), num contexto em que há um sistema de saúde onipresente e disponível. A redução de danos foi tentada num ambiente de variáveis muito mais controladas do que temos, ou podemos ter, em Banânia, com 8,5 milhões de quilômetros quadrados, 200 milhões de habitantes, uma pobreza fabulosa e fronteira com quatro grandes produtores de drogas. E há um claro recuo nessas políticas de redução de danos.

Um momento lindo
“Doutor, só para eu entender o que o senhor está falando porque existem formas e formas e formas de se consumir drogas, né? Quer dizer, você pode consumir a droga de maneira recreativa, você pode consumir a droga esporadicamente, você pode… Assim como tem as pessoas que bebem e são dependentes do álcool e tem as pessoas que bebem por… Num fim de semana.”

A fala é Laura Capriglione, que fica agora obrigada a nos apresentar consumidores recreativos de crack, certo?

E isso é pouco
Mas isso é pouco. Se uma bancada com essa composição ainda não lhes pareceu algo heterodoxo, então falemos de um certo Bruno Torturra, um simpatizante declarado do movimento petista “Existe Amor em SP”. Sim, ele estava na bancada do Roda Viva. Fazendo o quê? Deixemos que ele mesmo explique com dois tuítes.

FONTE: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/medico-que-coordena-programa-do-governo-de-sp-de-combate-ao-crack-consegue-escapar-de-arapuca-armada-pela-tv-cultura-entrevistado-era-difamado-em-tempo-real-por-membro-da-bancada-do-roda-viva-um-e/

 

 

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